O Brasil está fora da disputa pela medalha no basquete masculino das Olimpíadas de Londres. O fato não pode ser surpresa para ninguém, especialmente se considerarmos que há 16 anos não disputávamos uma partida sequer na competição. Voltamos, lutamos e saímos de cabeça erguida. E só.

Não vou compactuar com os que se deram por satisfeitos com a nossa campanha. Passamos em segundo lugar na primeira fase e, conseqüentemente, terminamos a competição em quinto lugar(?), por conta de uma vitória marota contra uma desinteressada seleção espanhola. Nosso técnico não me pareceu tão brilhante como em outros tempos. Ainda não entendo porque, mesmo após mais um terrível início de segundo período, não houve pedido de tempo para acertar as coisas. Deixamos a Argentina arremessar livremente durante boa parte do jogo e o buraco de 15 pontos de vantagem ficou demasiado profundo para ser tapado apenas nos minutos finais. Erramos muito no ataque, com a bola parada ou não. Bolas demais para quem não sabe decidir e minutos de menos para outros. E finalmente, na hora da decisão, não executamos. Nada. Ficamos tão perdidos quanto o handball feminino.

O adversário, ainda que em notória decadência, é superior. Talvez por muito pouco tempo, mas não há muito que discutir. Os argentinos têm a bagagem, têm a medalha no peito. Souberam e sabem decidir. Nós, há tanto tempo deslocados da elite mundial, ainda temos que reaprender.

Sobretudo, quero dizer que o mais triste da eliminação brasileira não está no nosso fracasso, mas sim na vitória da Espanha sobre a seleção francesa. Deixou-me a impressão de que o “jeitinho” compensa. Não sei como seria o possível cruzamento “Brasil X França” e “Argentina X Espanha”. Talvez fosse melhor não enfrentar um adversário que nos tem na caderneta. Ou talvez ficássemos pelo caminho da mesma forma.

Sei apenas que Londres ficará marcado pra mim como os Jogos da desconfiança. Porque não cometer faltas ou ter longas posses de bola no final de uma partida é atitude de time que tem o resultado favorável nas mãos. O que é “favorável”, então?

E a prata poderá ter cor de lata.

“A dúvida é desagradável, mas a certeza é ridícula.” (Voltaire)

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