Tracy McGrady saiu da NBA. Após anos lutando contra lesões e um rendimento bem inferior ao que vimos no auge, com apenas 33 anos idade, este excepcional pontuador irá atuar na China.
Pode ser um tanto quanto cedo para dizermos que ele nunca mais jogará na NBA. Porém, não é cedo para dizer que, no máximo, daqui para frente, será um veterano de nem 10 minutos por jogo.
Nas últimas três temporadas, atuando por New York Knicks, Detroit Pistons e Atlanta Hawks, acredito que todos nós que gostamos de basquetebol torcíamos a favor do retorno do grande T-Mac. Na realidade, nem lampejos nós assistimos. Era triste observar um cara que já foi duas vezes cestinha da liga, com uma qualidade fora de série no jogo ofensivo e defensivo, simplesmente acabado para este nível. E cedo demais.
Convivendo desde jovem com problemas nas costas, T-Mac nunca fez 82 jogos em uma temporada. Aos 21 anos, em Orlando, já atuava 40 minutos toda noite e era a referência da equipe. Uma responsabilidade que, talvez – eu disse talvez -, tenha chegado muito cedo. Fazia quase 27 pontos por partida, fora as ajudas nos rebotes, tocos, recuperações de bola, armação de jogadas e muita disposição em atuar em um time sem recursos. Vale lembrar que o time do Orlando, a base era T-Mac, Darrell Armstrong (com então 32 anos e apenas 6 temporadas na liga), Mike Miller recém-chegado à NBA, um esforçado Bo Outlaw – veterano de 30 anos e 9 temporadas, porém sempre um defensor muito árduo de ser batido mas sem tantos talentos ofensivos -, a trinca de pivôs ultralimitados Michael Doleac, Andrew DeClercq e John Amaechi. Por fim, o chutador de longa distância, um Steve Novak do passado: o lateral Pat Garrity. O treinador era Doc Rivers, hoje no Boston Celtics. Convenhamos, difícil ser feliz com uma base desta.
O time foi aos playoffs três vezes em quatro temporada de T-Mac por lá. Vale a pena ressaltar que, durante a passagem por Orlando, o time não melhorou. Aliás, foi piorando com o tempo. As duas melhores companhias que T-Mac teve? Vejamos… Juan Howard em 2003/04, já com 30 anos, e Rod Strickland, na mesma temporada (mas com 37 anos de idade). Na temporada 2002/03, Shawn Kemp, completamente acabado para o jogo aos 33 anos. Na temporada anterior, Patrick Ewing, com 39 anos e sem joelhos e Horace Grant, com 36 anos. Devemos lembrar de Grant Hill, que, na passagem de T-Mac pela Florida, jogou 47 jogos em 4 temporadas.
Será que o Orlando deu condições ao seu maior astro de tentar algo mais do que foi feito por ele? Vale uma discussão.
Da mesma forma que chegou em Orlando, em 3 de agosto de 2000, vindo de uma troca com o Toronto Raptors (jogou três temporadas com o time canadense e a troca foi por uma escolha de primeira rodada no draft), a franquia da Floria enviou Tracy para o Houston, em 29 de junho de 2004, em um movimento de uma superestrela na época. Lembre-se que já existiam dúvidas sobre a questão física do atleta. A troca ocorreu movimentando Juwan Howard, Reece Gianes e Tyronee Lue por Kelvin Cato, Steve Francis (à época admirado e respeitado) e Cuttino Mobley.
Durante as quatro temporadas e meia em Houston, atuando ao lado do gigante chinês Yao Ming (que fez, no máximo, 55 jogos em uma temporada neste período) e contando com um suporte um pouco maior, T-Mac deixou de ser o cestinha furioso de antigamente e se tornou mais participativo para o time. Apesar disso, sempre surgiram questões sobre sua real concentração em atingir objetivos maiores.

No jogo da eliminação contra um Dallas Mavericks, de elenco superior, em 2005, o Houston teve apenas dois atletas com mais de oito pontos na partida: Yao fez 33 pontos e T-Mac anotou 27. David Wesley marcou sete e, após ele, ninguém fez mais de quatro pontos. Algo inacreditável. Novamente deixando de lado a dupla Yao/T-Mac, nenhum outro atleta do Houston teve mais de 30% de aproveitamento neste sétimo jogo. Não podemos dizer que esta foi a melhor das ajudas que a dupla teve na vida. Dallas, por sua vez, nem contou com uma grande atuação de Dirk Nowitzki, mas Jason Terry, Josh Howard, Michael Finley, Erick Dampier e companhia fizeram uma grande partida. E o time com as melhores peças, novamente, venceu.
Ausentes dos playoffs na temporada 2005/06, o time iria retornar à pós-temporada em 2007 e também em 2008, em duas séries contra o rival Utah Jazz. Vencendo a série por 3 x 2, com dois jogos para tentar fechar e eliminar o então jovem time de Utah, o Rockets desperdiça em Salt Lake City a chance de passar de fase, após perder por 94 x 82. O Jazz teve ajuda de todos os lados e o Houston, novamente sucumbiu com seu jogo monopolizado em duas ou três peças. Na partida decisiva no Texas, o trio Deron Williams, Mehmet Okur e em especial, Carlos Boozer comandaria uma vitória épica do Jazz sobre os anfitriões. Este talvez tenha sido o melhor jogo de T-Mac em toda série: envolvente e jogando com inteligência. No entanto, além de Yao e Shane Battier, praticamente ninguém veio para jogar. O elenco do Houston, pequeno e sem tantos recursos, novamente sucumbiu. Abaixo, os minutos finais desta série:
Após esta derrota, o Houston não teve Yao para o confronto de 2007/08. Se com o chinês, uma temporada antes, as coisas já foram complicadas, sem ele, o Houston perdeu em seis jogos. Ultradependente de T-Mac. O Jazz demonstrou ser mais time e mais coletivo e venceu.
Após 35 jogos na temporada 2008/09, já longe do auge e com uma seleção de arremessos desastrosa, McGrady foi trocado para o New York Knicks. Uma negociação de três times e, mais uma vez, um péssimo negócio do time da Big Apple – rotina nos anos 2000. Ali estava escrito o final da carreira de T-Mac como protagonista dentro da liga.
No final das contas, Tracy McGrady nunca visitou com suas equipes a segunda fase de um playoffs. Conseguiu sete indicações para o quinteto ideal da NBA (All NBA Team), sendo duas para o primeiro time. Foi sete vezes para o Jogo das Estrelas, duas vezes cestinha da liga e atuou em 938 jogos de temporada regular.
É considerado um dos mais versáteis pontuadores que a liga já viu. Com domínio total da técnica ofensiva, mas questões sobre o momento e quantidade de arremessos – e, claro, isso impactava negativamente sua equipe.
Teve uma boa carreira, fez muita gente curtir basquetebol e acredito que com sua saída, uma geração de pessoas que cresceu assistindo T-Mac e suas estripulias na quadra ficou um pouco mais triste. Este final, nem de perto, foi o imagino por todos nós.
Da minha parte, foi um cara que me fez ainda mais próximo do jogo. Completo e com movimentos plásticos, era sempre um show à parte vê-lo em ação. Parecia que tudo era fácil e que poderia fazer o que quisesse em quadra. E o mais importante, nos dois lados da quadra. Foi um cara pelo qual torci bastante e, claro, já deixa saudades!
Boa sorte, T-Mac !
É triste ver isso acontecer…Sou muito fã dele.
Obrigado pelo comentário Ramon !
Volte sempre, abraço
Eu acompanhei a trajetória de McGrady desde q estreou na liga, junto com o seu primo Showman Vince Carter( O Vince talvez nem esteja entre os 40 melhores jogadores de todos os tempos, mas sem dúvidas, foi o MELHOR jogador Show e Dunks da história q a liga já teve; seus Dunks, enterradas, socadas, cravadas, marteladas, trazer o aro ao chão, como queiram, ainda não existiu um jogador tão espectacular em dar show em quadra como Carter…). E por sinal, grande matéria sobre o T-mac, tenho o mesmo sentimento, falou tudo…
Por isso queria o Carter no Clippers… seria doido um show Dunk dele e do Blake Griffin. heheeh. Lembro do Tracy em Orlando ele era Magico rsrrsr, mas assim com Iverson e Steve Francis.. ele morreu.
henrique lima.. esse Bo outlaw tem alguma coisa a ver com o Travis Outlaw? Teve um tempo que eu viajei achando q era o mesmo jogador.
Rafael, obrigado pelo comentário.
São dois caras diferentes.
Bo jogou em meados dos anos 90 para frente. Travis é mais re recente. De similar, só o sobrenome mesmo !
Abraço !
Zack, obrigado pelo comentário, T-Mac fará falta mesmo.
Uma pena pois com 33 anos, poderia estar jogando em um nível ainda superior.
Abraço
infelizmente as lesões atrapalharam ele, e a vida foi mei q irresponsável com ele, tinha q jogar sozinho em orlando, em houston, só tinha o yao d confiança e mais ninguem, por todo o trajeto da obra dele, merecia um anel pelo esforço q fez até onde podia para ganhar, mas enfim, naum ganhou um anel, mas issu naum vai apagar a sua história da nba, foi um dos melhores jogadores da ultima decada. boa sorte t-mac, sou teu fã e vou torcer mt pela recuperação d seu jogo, e daq ha pouco vc estara na nba arrebentando d novo.
Eu torço muito por ele, mas com 33 anos, fica complicado retornar.
Vale mesmo guardar as boas lembranças !
Abraço Fábio e obrigado pelo comentário !
abç henrique, e ficamos na torcida por t-mac voltar a jogar bem.
Um dos melhores que eu vi.
Aquele 13 pontos em 35 segundos contra o Spurs foi animal!
Muller, grande lembrança !
Obrigado e um abraço !
T-Mac foi um mito infelizmente os problemas físicos acabaram prejudicando seriamente sua carreira…quem sabe na China aonde a parte física não é tão explorada quanto na NBA T-Mac consiga desenvolver seu jogo com maestria como já vimos anteriormente na NBA …
Na China ele tem tudo para brilhar, afinal, o nível é outro.
Mas, são aquelas aventuras que provavelmente nós não teremos como assistir.
Um abraço Marcos e obrigado pelo comentário !
nao concordo na parte onde nao vimos lampejos…sua partida de estreia pelo knicks foi excepcional, absurdo o que ele jogou aquela noite mesmo baleado. Pelo Pistons foram vários e vários bons jogos, e maioria deles atuando como PG da equipe. Isso sem contar a partida dele pelo Hawks contra o Heat temporada passada em Miami, na qual ele botou o leBron no bolso, assim como fez por toda a carreira hehe.
Por fim, é um genio que infelizmente nao consegue executar tudo o que sabe devido a limitacoes fisicas!! É o melhor dos que eu vi, meu jogador favorito, e na minha humilde opniao, após Jordan e pré LeBron, é o maior talento que a liga ja viu. Pena ter faltado auxilio enquanto esteve saudavel
Luiz, obrigado pelas lembranças, devo ter me equivocado mesmo.
Realmente ele temos alguns momentos legais, mas temos que concordar que bem longe do auge né ?
De toda forma, obrigado por corrigir nesta parte do texto !
Um abraço
Dentro na NBA, é consenso que se McGrady não tivesse forçado sua saída do Toronto Raptors, ele e seu primo Vince Carter poderiam ter disputado uma final de NBA, devido à fase de vacas magras que a Conferência Leste passou no início dos anos 2000.
Um talento como o dele realmente faz falta a qualquer time.
O problema que ele foi para um lugar em que a ideia era ótima, mas a prática foi lastimável. Time bem limitado e sem muitos recursos para trazer mais gente.
Um abraço e obrigado, Luiz !
Segundo melhor jogador pós MJ.
1) Iverson
2) T-Mcg
3) Wade
Obrigado pelo comentário João !
TMac jogava demais!!!!!!!!!!!!
Otimo texto, T-Mac arrebentava, é complicado ver a carreira terminar assim, mas pelo na china ele vai ser aclamado como era no seu inicio de carreira.
Jefferson, obrigado pelo elogio e triste é saber que ele não se identificou com nenhum time a ponto de ser aposentado por uma franquia.
Este ponto é outra conversa, mas fica esta dúvida !
Abraço
Um jogadorzaço que tinha tudo pra ser um grande rival do Kobe, Iverson e cia. Triste demais ele, assim como o Iverson, terem tido finais de carreira tão lamentáveis. T-Mac deu muito azar de sempre cair em times limitados e pra ajudar tinha que sacrificar seu corpo, como foi dito ás vezes jogando por 2, 3, 4. O que mostra que uma andorinha só não faz verão! O “se” não existe, mas tivesse jogado em um Portland de 2000 a 2002, num Dallas de Dirk ou mesmo nos Wolves de Garnnet, poderia ter tido pelo menos 1 anel. Pra mim era pra ter sido o grande rival do Kobe, bola pra isso tinha, só não teve corpo…
Triste fim para um jogador espetacular.